sábado, 20 de maio de 2006

reservado

Reservei-te este momento
com cerimónias e obséquios.
Ouvi aquela música como ritual iniciático,
bebi aquele vinho como purificador de alma,
tudo... para me dedicar a ti,
às tuas palavras e ao que elas constroiem.
Pouso o copo na lareira
o sol espreguiça os seus últimos raios
pelos poros da persiana,
pelas fibras do único tecido
que me separa da restante humanidade.
Entrego-me a todas as folhas
que possam testemunhar o nosso encontro.
Acaricio-me para sentir que é real,
que para além de real, é completo.
Sorrio porque me realizas,
sorrio e comprometo-me até à última letra.
Reservei-te estes momentos
até à exaustão pura e desprendida de quem ama.

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