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segunda-feira, 2 de outubro de 2006

10 minutos #boneca

- olá..., quem és tu? estás aqui há muito tempo?
...nas águas furtadas onde Lisboa se deita à janela, há uma casa de bonecas pequenina e na pequenina casa de bonecas, estás tu...
- e quem és? Matilde de olhos claros vou chamar-te e a mim contar-me a tua história por plena vontade de encontrar o teu propósito, o teu princípio e fim.
boneca de trapos, de tecidos, de restos que ganharam sonhos.
boneca com alma de algodão de travesseiro e pele de estoupa crua que faz de ti singela e forte.
tens uma saia de pintas para as bonecas distintas, e não só..., tens histórias alinhavadas a todos os retalhos que te dão vida e cor.
o veludo castanho do teu cabelo está penteado e aprumado com fita rosa de cetim, cetim de rosa como as sapatilhas de ballet entrelaçadas nas pernas das meninas.
a camisa de cambraia garrida contrasta com a gola de sablé e renda branca.
de riscado riscadinho tal qual camisa de Sr. Dr., tens culotes e nos pés um tecido tatuado relembra uma origem distante, pelo menos daquela rua.
tens sapatilhas de tafetá preto de gala, no coração tecido azul porfundo e resistente.
as flores penduradas à cintura, numa faixa que abraça o teu gracioso tamanho, não murcharam este fim do verão, nem murcharão.
- és tu, boneca, Matilde de olhos claros, de alguem? se não minha, agora...
és o achado de um fim de tarde, onde o trémulo das cores do céu encerram aquilo que menos esperas... apaixonar-te.

domingo, 10 de setembro de 2006

irmão

Se eu quisesse descrever a calma que depositas dentro de mim, precisaria de encomendar uma obra prima à literatura, porque não há descrição para tal ternura, era urgente ser inventada!, para que quando lida fosse, não faltasse ler mais nada, nem o brilho, nem a alma.
Obrigada irmão.

quarta-feira, 6 de setembro de 2006

compasso

passo de gigante pelo teu compasso, atraso um sorriso no teu abraço,
passo de mansinho pelo teu medo e deixo uma flor na orelha do teu segredo,
passo e repasso a melodia do teu traço, cozo um beijo e rasgo...
em penas, mel e papel almaço.

sábado, 2 de setembro de 2006

puzzles

Se eu fosse escritora... escrevia palavras de vento no céu, com o dedo.

sexta-feira, 1 de setembro de 2006

10minutos #nas linhas da minha mão

Nas linhas da minha mão escrevo, descrevo sentidos, destinos, linhagem, nada mais do que traços de medos, traços de coragem.
Quando a minha mão se abre as linhas espreguissam-se pela pele e revelam sulcos, pormenores que se ramificam em milhares de pretextos.
Quando a minha mão se fecha, dormem todos esses pretextos, esses textos tatuados e os sonhos que transpiram apertados, nas linhas da minha mão.

segunda-feira, 14 de agosto de 2006

constelação

Andei todos os passos que se podem dar entre aqui e acolá, apenas para dar conta de que há sentimentos que brilham no escuro, sem qualquer necessidade de se afirmarem eles simplesmente brilham e permanecem arrumados na constelação dos ses...

O escuro amanhecerá bem mais depressa que os passos que terei de andar no regresso, onde quer que esteja o aqui.

terça-feira, 1 de agosto de 2006

variadíssimos nadas

O tempo já não tem segundos, apenas largas horas que já se habituaram aos diversos passatempos que crio para me decifrar.
Hoje, caio no fundo de mim mesma, os olhos param nos mais variadíssimos nadas, os ouvidos ouvem repetidamente a mesma música, relembram-me os sítios dos quais não sei regressar, eternos como a dúvida ou a inércia.
Entretanto, são as mãos que vão desenhando e embrulhando as linhas que cosem a alma ao corpo que entendo como prisão dos meus precipícios.

domingo, 30 de julho de 2006

fortaleza



esculpi uma fortaleza à medida dos meus medos, desenhei esta luz à medida dos meus segredos e desejei-te em mim poema dos meus sentidos, medida dos meus dedos.

senti, é mais que pretérito perfeito

Hoje, nos dias de hoje..., tudo tem validade. Os iogurtes têm validade, os livros têm validade, até as pessoas têm validade... condição intrinseca que nos limita em espaço e tempo.
Os dias que passam contam a negativo histórias que preenchem os entretantos para morrerem a seguir na data anunciada.
Hoje, nos dias de ontem e de amanhã, são os sentimentos que prevalecem sem validade, sulcos profundos em terra de memórias, rugas de expressão que testemunham a positivo o tempo sucessor.
Senti, é mais que pretérito perfeito do verbo vida.

terça-feira, 18 de julho de 2006

perfeitamente desconhecida



o mar enrolou-se no teu pescoço esta manhã,
nada restou além dos gritos que a voz foi perdendo
o corpo entregou-se sem luta,
nada restou além das cicatrizes que o tempo foi marcando
no entanto eras-me perfeitamente desconhecida,
e nada restou além das lágrimas que a saudade foi lembrando.

tristeza

tristeza é o pássaro que nos morre nas mãos, por não sabermos voar, são as palavras vivas numa carta que se perde do destino, é o vazio... ausência de tacto, é o soluço profundo de quem chora devagar, é o desatino..., carvão negro que se consome em chamas, em verbos e sonhos desfeitos.

quarta-feira, 12 de julho de 2006

o vento



O vento entrega-me aquilo que escondes... o aroma da incerteza que levas no pensamento.

pele (a química da física)


quando a pele se toca quase sem tocar...
quando apetece explorar todos os milímetros que a pele pode ter...
quando se passa por cima de todos esses milímetros porque é tarde demais para esperar...
quando nada se explica, nem mesmo a surpresa de ser tão perfeito, tão completo...

segunda-feira, 3 de julho de 2006

este cheiro a hortelã...

no dia a seguir ao grito...

as cores pálidas escorrem pela vidraça embaciada, partida..., o ar fresco entra..., respira fundo, não ouvis-te?, respira fundo... quase sufocas de tão puro que está.
trocas gasosas acontecem silenciosamente por cima dos teus cabelos húmidos, e o bafio esvai-se... e as cores começam a ter contornos mais brilhantes, até o teu corpo magro parece ganhar volume e contraste.
há quanto tempo esta sauna te consome? compasso de vida em leggatto, círculo de fogo, consumiu-te até as pestanas, consumiu-te a alma? não ouvis-te? consumiu-te a alma?

no dia a seguir ao grito...

já tudo ecoou e o silêncio desperta em recantos que foram ganhando pó, lugar renovado mas ainda trémulo, só o cheiro o destingue e o diferencia agora, este cheiro a hortelã...

sexta-feira, 23 de junho de 2006

rede #201196

Queria ser um pássaro
para voar de mim
quando a dor chega.
Um simples raio de sol
para quebrar o gelo
da solidão.
Queria amar-te…
com mais palavras
e recordar o teu beijo
ao dormir.
Queria não ser eu,
talvez…,
para poder ler
o que sentes,
olhar o que
não vês em mim…!

terça-feira, 13 de junho de 2006

quando não sei onde estou...

Quando não sei onde estou... encontro-me sempre nesta melancolia, sempre nestas lágrimas grossas que pesam cada angústia que me trazes...

corpo seco



Não doi, já nada doi...
neste corpo seco de lágrimas, seco de estímulos, que o transportem para longe da dor mítica,
dor anestesiada pelas mentiras sucessivas a que ainda se entrega.
Nada sente, já nada sente...
este corpo abandonado no chão sem qualquer graciosidade, sem qualquer alma, sem ninguém para lhe tocar.
Não pode, já nada pode...
nem suspirar a última das palavras, segredos que o predurem na memória de alguém.
De quem é este corpo se ninguém o lembrar?

segunda-feira, 12 de junho de 2006

tempo

Enche o peito de ar e sustem a respiração...
Pára aí, exactamente aí...,
quero roubar-te esse momento... aí...,
lugar onde o que mais te aflige é o facto de não seres livre.
Quero roubar-te aquilo que não te podes dar,
preso aí, num espaço de tempo onde tudo é frágil,
onde tudo é lento..., muito lento...
Sufoca-te esse contratempo que o tempo tem..., trouxe...
Sufoca-me o tempo que não te dás, momento...

domingo, 28 de maio de 2006

pulsar

Imagina-te num quarto cheio de nada e vazio de tudo,
imagina-te no escuro sozinho, com o pulsar do teu silêncio...

espectro musical,
pulsas... pulsas... pulsas...

O teu ritmo entranha-se nos teus sentidos
e dás contigo a questionar...
o acordo que celebras-te com o teu Deus.

Imagina-te envolto num conforto uterino
e diz-te a ti próprio o que te falta.
Cobra-te, pelo vazio destes momentos
e pela profundidade dos mesmos.

Imagina-te, e constroi as tuas vontades...

Concretiza-te nos teus braços...
reflexos felizes, projectados nas vidraças desse quarto.

impasse

Roer as unhas, olhar no vazio, verificar o telemóvel 3 vezes por minuto.
Não saber responder... a nada que te perguntem.
Estar impaciente, estar..., esperar..., desesperar!
Andar de um lado para o outro e conjecturar mil e uma situações,
se..., se..., se...

Verificar o telemóvel 3 vezes por minuto, olhar mais dentro do vazio..., roer a paciência...
Acelerar o processo das mil e uma situações,
se..., se..., se... e mais se...
Dar algum passo..., estagnar no impasse, roer as unhas.
Verificar o telemóvel 3 vezes por minuto e mais 3 vezes...

Esperar quando estamos prestes a explodir... é fodido!