domingo, 28 de maio de 2006

pulsar

Imagina-te num quarto cheio de nada e vazio de tudo,
imagina-te no escuro sozinho, com o pulsar do teu silêncio...

espectro musical,
pulsas... pulsas... pulsas...

O teu ritmo entranha-se nos teus sentidos
e dás contigo a questionar...
o acordo que celebras-te com o teu Deus.

Imagina-te envolto num conforto uterino
e diz-te a ti próprio o que te falta.
Cobra-te, pelo vazio destes momentos
e pela profundidade dos mesmos.

Imagina-te, e constroi as tuas vontades...

Concretiza-te nos teus braços...
reflexos felizes, projectados nas vidraças desse quarto.

impasse

Roer as unhas, olhar no vazio, verificar o telemóvel 3 vezes por minuto.
Não saber responder... a nada que te perguntem.
Estar impaciente, estar..., esperar..., desesperar!
Andar de um lado para o outro e conjecturar mil e uma situações,
se..., se..., se...

Verificar o telemóvel 3 vezes por minuto, olhar mais dentro do vazio..., roer a paciência...
Acelerar o processo das mil e uma situações,
se..., se..., se... e mais se...
Dar algum passo..., estagnar no impasse, roer as unhas.
Verificar o telemóvel 3 vezes por minuto e mais 3 vezes...

Esperar quando estamos prestes a explodir... é fodido!

quarta-feira, 24 de maio de 2006

silêncio



O meu silêncio diz-te tudo aquilo que não te consigo transmitir... Sente-o!
Como um encontro vazio entre duas almas gémeas, velhas de esperar pelo presente... Sente-o!

sábado, 20 de maio de 2006

reservado

Reservei-te este momento
com cerimónias e obséquios.
Ouvi aquela música como ritual iniciático,
bebi aquele vinho como purificador de alma,
tudo... para me dedicar a ti,
às tuas palavras e ao que elas constroiem.
Pouso o copo na lareira
o sol espreguiça os seus últimos raios
pelos poros da persiana,
pelas fibras do único tecido
que me separa da restante humanidade.
Entrego-me a todas as folhas
que possam testemunhar o nosso encontro.
Acaricio-me para sentir que é real,
que para além de real, é completo.
Sorrio porque me realizas,
sorrio e comprometo-me até à última letra.
Reservei-te estes momentos
até à exaustão pura e desprendida de quem ama.

quinta-feira, 18 de maio de 2006

estou aqui



Se algum dia me quiseres encontrar... estou triste a um canto... onde vejo e nao me vêem... estou triste com a música e as palavras, a um canto...
Se algum dia me quiseres encontrar... estou no silêncio da multidão... estou no grito da solidão...
Estou aqui, onde não me cabe estar... porque ninguém vai procurar, a um canto... vou ficando.

admirar-te

Consigo passar horas a admirar-te, como lençol que admira suavemento um corpo nu, abandonado à simplicidade trémula da luz quente, envolvido em contornos e sombras estruturantes de aroma frutado e fresco.

manifesto azul-bébé

Chegas-te sem cor, numa tarde pálida e abafada.
Trazias poucas palavras e um olhar céptico de aventura.
Com monosílabos ensaiados, enches-te os entretantos do vento.
Terra batida pelo tempo,
folhas caídas pela condição ritual da vida...
Em monosílabos ensaiados, fos-te despertando inquietações azuis-bébé...
Abalas-te sem cor, numa tarde sem calendário e deixas-te tanto como poeira em pleno manifesto.

sinto

Posso saber o que sinto por detrás do que sinto?
Quando penso no que sinto, onde encontro os meus porquês?

o que será que o mundo me disse?

Hoje, sou menina... de vestido vermelho, ganchos aprumados, sorriso malandro e dedo na boca. Escondo atrás da saia a vergonha, reviro os pés, e a inocência está no bolso, junto do chupa.
Quero andar de carrossel hoje, quero andar à roda de mim, do vestido vermelho...
Hoje, que não sou menina, o que será que o mundo me disse?

domingo, 7 de maio de 2006

curva

Vem ter comigo com as mãos cheias de nada..., vem ter comigo no silêncio da curva natural do meu pescoço. Quero que venhas e tragas apenas um raio de sol.

quinta-feira, 4 de maio de 2006

colo velho

Sentei-me no teu colo velho.
Reconheço o seu calor porque a pele também tem memória.
Reconheço a sua magia porque testemunhei os seus poderes.
Sentei-me no teu colo velho e com os olhos em vigília, sorri, aconchegada pelo seu conforto.
Quero morrer aqui, porque és o meu ninho, útero de alma em mim, no teu colo velho.

palavras que não conheço

Visito as prateleiras à espera de encontrar aquele livro, aquele que me consiga explicar por palavras que não conheço o porquê do que não sei expressar.
Entram poucas pessoas neste lugar de palavras adormecidas.
O espaço vive em síncope constante, interferências anónimas de quem passa, rituais mecânicos de quem lhe dá vida.
Se as palavras secarem ou morrerem, ninguém lhes prestará homenagem.
Temo que aquele livro, aquelas palavras, que desconheço, tenham esmorecido nas prateleiras, perdido força e cor para este encontro.
Abalo de preto, de luto, pela ausência de documento físico que sustente teóricamente o que não sei expressar.

quarta-feira, 3 de maio de 2006

escrevo

É quando a alma mais pesa... que nasce este impulso... escrevo... corro como um rio de águas turvas, fora de prazo, fora de ordem.
Tudo se atropela em mim... escrevo... enquanto uma agonia sem medida certa, arranha na garganta.
É quando a alma mais doi... que nasce este impulso... escrevo... grito mais alto, até que o céu estremeça.
Tudo se atropela em nós... enquanto escrevo...

sms

Tapa-me a boca... para não gritar, tapa-me os ouvidos... para não enloquecer, tapa-me os olhos... para que ninguém veja o monstro que tenho dentro de mim, AGONIA!

homens letras...

Todos os homens foram e são letras... Todas as letras me provocaram e provocam... Eu respondo com letras... terá algum significado?

apetece-me rasgar papel com os dentes...

Apetece-me rasgar papel com os dentes... assinar com tinta vermelha esta tela. Faço traços góticos e cumes dantescos só para não te ver... quero-te escondido por detrás do tamanho maior. Para uma coisa servis-te, nada mais... para desenterrar a minha ira... escrevo... Agora foge de mim, FOGE!

puzzle...

Lembram-se daqueles puzzles de plástico com peças quadradas?
ALGUÉM ANDA A BRINCAR COM O MEU! e eu não gosto...

frágil



A vida é tão frágil como a consequência do meu pestanejar...

cheguei ontem

Cheguei ontem... para ser mais precisa cheguei... não sei quando... a uma etápa da vida em que nada faz sentido. Dou por mim a questionar meticulosamente os últimos dez anos da minha vida e as opções tomadas. Concluo sem grande esforço que não consigo orgulhar-me de nenhuma delas em particular, talvez uma... O vento arrastou-me até aqui? Não creio que as intervenções divinas sejam chamadas para esta conversa... Fui eu... simplesmente eu que me coloquei precisamente onde estou... Recordo-me daquilo que queria... penso saber aquilo que quero e sou, embora não me lembre de como aqui cheguei... e como daqui quero partir.... Partir pode ser só mudar, só encontrar coragem para me encontrar... Sou alguém com gostos muito próprios... dizem.... gostos tão próprios como os de outro alguém, julgo eu... Sou mulher de artes adormecidas, num mundo sem arte onde sobrevive o engenho... que pelos vistos soube utlizar mestriamente como uma arma... contra mim. Encurralei-me num misto de medo e falta de coragem, que penso que seja a mesma coisa neste contexto e... reconheço apenas os meus sonhos e a necessidade de um ombro... ombro que amo de forma abstracta e até dependente... é no momento em que me deito que preciso de mais calor... para esquecer o frio da minha alma.

segunda-feira, 1 de maio de 2006

tigre-de-papel

Este espaço é meu e vosso, espero que gostem... seja pelos pensamentos ou efémeros momentos... seja apenas porque sim...